Hoje tive que ir a uma clínica para realizar o exame demissional que todo funcionário que leva chute na bunda tem que fazer. Cheguei a clínica por volta das 14h10 e vários funcionários de uma construtora aguardavam para serem atendidos. Tá.
A recepcionista pediu meus documentos e rapidamente preencheu uma ficha com meus dados. Tenho repulsa a qualquer clínica médica ou hospital, por isso perguntei a simpática senhorita se iria ter que esperar muito. “Acho que uma hora, mais ou menos”, respondeu a senhorita, e logo em seguida me orientou para uma sala onde minha pressão seria medida.
Antes, tive que preencher uma ficha sobre minha saúde. As questões eram as seguintes: você fuma? Quantos por dia? Pratica esportes? Tem problema do coração? Já sofreu alguma fratura? Tem problemas graves de audição? Bebe? Já experimentou drogas? E mais outras que não se faz necessário aqui mencionar.
“12/8. É uma boa pressão, hein, garoto”, disse a enfermeira. Até aqui tudo se passou em menos de 25 minutos. 14h35 marca o relógio e então saio para o jardim da clínica e vou fumar um cigarro para o ver se minha vez de ser atendido chegava logo. A cada tragada, lembrava do maldito relatório que tive que preencher antes de estar ali observando a chuva e fumando meu cigarro. “....será que o doutor vai dizer que eu preciso parar de fumar....?
15h20, exatamente uma hora após eu chegar a clínica e como a recepcionista havia assegurado, fui chamado para entrar na sala do “médico”. Começa o diálogo:
Médico: “Tudo bom senhor.......”
Eu: “....Fabrício, meu nome é Fabricio doutor...”
Médico: “Você é jornalista?”
Eu: “Sim, sou repórter fotográfico.”
Médico: “Está saindo da Folha de Londrina para outra empresa?”
Eu: “Não senhor, fui cortado por questão de enxugamento. Sabe como é que é né, a empresa passa por dificuldades e a crise tá afetando todo mundo.”
Médico: “É, tá complicado........levanta a camisa que vou ouvir tua respiração.................respira alto......Ok!”
Rapidamente ele assina minha ficha e assina a opção “apto para o trabalho”. Pergunto então ao médico:
“Mas doutor, e o exame de sangue que fiz ontem?”
“Ah, sim, tá aqui. Deixe eu ver..............tá tudo normal”
“Tudo normal, posso ver?”
“O que você quer ver”
“Estou com anemia?” – minha namorada disse que eu poderia estar com anemia, por isso a pergunta.
“Não, tá tudo certo contigo. Pode ir tranquilo”.
“Então tá. Até mais”
“Boa sorte aí na luta por outro emprego”.
15h23. Saio da sala.
Publicado em 18 de setembro de 2002 às 18:06 por fabricio