Só pra relatar: o desabafo que postei ontem aqui no Tipos foi publicado no Painel dos Leitores da FSP desta quinta. Pode não ser muita coisa, mas pelo menos liberei um pouco do sentimento de revolta que tomou conta de mim ontem à tarde. Agora estou um pouco menos indignado. Pelo menos até ler outro escândalo. Isso é Brasil! Infelizmente.
Como um pode a população de um país permitir que um juiz federal com salário de R$ 14 mil líquidos receba mais R$ 26 mil como aposentadoria pelo tempo em que foi juiz estadual enquanto a maioria dos aposentados ganha um salário mínimo por mês? Como pode a população de um país tolerar que um governador de um Estado da federação conceda aposentadoria, vitalícia e mensal, no valor de R$ 11.035,00 a uma ex-vice-governadora só porque ela exerceu o cargo do titular durante ausência deste por 40 dias? Os casos acima, relatados pela Folha esta semana, envolvendo, respectivamente, o juiz federal Manoel Álvares, suspeito de ter vendido uma decisão judicial por R$ 300 mil, e a ex-vice-governadora de Mato Grosso, Iraci França (PR), favorecida por uma decisão tomada pelo atual governador Blairo Maggi (PR), são uma afronta aos cidadãos que sonham e batalham por uma nação mais justa e menos corrupta. Triste é saber que a maioria do povo brasileiro não faz nada, assiste a tudo isso calado, prefere o popular ditado “não adianta reclamar, isso não dá em nada!” ao invés de cobrar mais seriedade, moralidade e respeito ao uso do dinheiro público. Até quando meu Deus!? Até quando?
Pela primeira vez desde que cheguei a Brasília, o céu permanece encoberto por nuvens há mais de dois dias, e a chuva que é rara por essas bandas resolveu aparecer. Hoje cedo os termômetros marcavam 17 graus, o suficiente pra fazer a população sair agasalhada de casa. Para essa gente, o inverno está começando, hehehe! Ah, antes que me esqueça, a foto foi tirada em uma chácara em São Luis do Purunã, perto de Curitiba.
Como disse o grande arquiteto, as pessoas podem até não gostar, mas é impossível passar batido diante da grandeza desta obra. "Quando alguém vai à Brasília eu pergunto se viu o Congresso Nacional e pergunto depois se gostou, se achou que o projeto era bom. Certo de que ela podia ter gostado ou não, mas nunca podia dizer que tinha visto antes coisa parecida". Oscar Niemeyer, 100 anos em 2007.
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Que concurso público que nada! O caminho para ganhar mais de R$ 10 mil por mês é bem mais fácil. Pelo menos para uma merendeira do Distrito Federal. Uma auditoria interna feita pelo governo do DF - aqui o governador é o José Roberto Arruda - descobriu que o contra-cheque de uma servidora lotada em Ceilândia é de R$ 13.632, dois paus a mais do que ganha Arruda. O levantamento revelou também que 117 merendeiros de escolas públicas ganham mais de R$ 4 mil por mês. Para se ter uma idéia do tamanho do absurdo, um professor do DF ganha R$ 3,5 mil por mês. Agora, o caminho para esses servidores deve ser a rua ou a redução drástica do salário. Desde que assumiu, Arruda vem promovendo um choque de gestão que já resultou no corte de 17 mil cargos comissionados. É que se espera depois dessa notícia, publicada no
Correio Braziliense deste sábado.
Aos poucos vou descobrindo as coisas boas de Brasília. Uma delas é o Parque da Cidade - aquele mesmo onde a Mônica, de moto, e o Eduardo, de camelo, costumavam se encontrar. Fica bem ao lado do local onde estou trabalhando. O interessante é que mesmo com o calor e o ar seco da capital federal o local fica entupido de gente nos finais de semana em pleno horário de almoço. Vejo isso sempre aos sábados e domingos, quando atravesso o parque para ir ao cursinho a pé. A ida é tranquila, já a volta, sob o sol do meio dia, é de suar a camisa. De bike é outra história. Um ótimo exercício para o corpo e para a mente. Ainda mais tendo o pôr do sol do Planalto Central como cenário de fundo.